Elektro: Concessionária diz que obra foi para atender Centro Logístico; pede desculpas por falhas na comunicação e vereadores exigem respeito

A Elektro voltou à mira do Poder Legislativo de Arujá após a “lambança” realizada no centro da cidade com a instalação de mais de 160 postes em calçadas, sem qualquer planejamento ou aviso prévio à Prefeitura. O resultado foi muita indignação e protestos que geraram duros discursos na Tribuna da Câmara, além de duas reuniões sobre a Concessionária – uma com representantes do governo Luís Camargo e outra com a equipe de gerentes da empresa, entre os quais, o de relações institucionais, Milton Pontes.
Na primeira, realizada na terça-feira (3/3), os vereadores ouviram dos secretários de Governo, Rogério Gonçalves Pereira (PSD), e de Planejamento, Obras e Serviços Marco Aurélio Valdanha, o que já desconfiavam: a Elektro iniciou as obras para expansão da rede de distribuição de energia na cidade à revelia do poder público. “Só conseguimos falar com a Elektro depois da intervenção de um deputado federal, que acionou o presidente da empresa”, explicou Rogério.
A informação foi confirmada por Pontes na reunião de quarta-feira (4/3) com os vereadores na sala da presidência: “Eu teria de informar à Prefeitura: não. Eu deveria? Sim, pela dimensão da obra”, reconheceu o gerente ao pedir desculpas pela falha no processo. “Quando fiquei sabendo como seria a obra, pedi que minha equipe fosse até a Administração Municipal”.
A obra para ampliação da rede de distribuição de energia começou em 2/2 e o “aviso” ao Poder Público Municipal foi feito em 11/2. A Elektro substituiu cerca de 5,5 km de postes e fios por outros mais robustos para atender ao pedido de uma empresa que pretende instalar um Centro de Logística no município, com possibilidade de geração de 170 novos empregos. Segundo Pontes, o cliente investiu R$ 156 mil e a Elektro outros R$ 500 mil para fazer os ajustes de infraestrutura. Apesar das justificativas, alguns vereadores mantiveram as críticas à Elektro e pediram mais respeito por Arujá. “O senhor é gerente de relacionamento, certo, Milton? Então faltou justamente relacionamento”, disse o vereador Luiz Fernando Alves de Almeida (PSDB). Pontes reconheceu que deveria ter agido “de outra forma”.
E deveria mesmo. É o que diz o parágrafo 5º da Resolução nº 414/2010, que estabelece as Condições Gerais de Fornecimento de Energia Elétrica de forma atualizada e consolidada e na prática orienta o trabalho das Concessionárias: A distribuidora e o poder público municipal ou distrital devem estabelecer os canais de comunicação e/ou pessoas responsáveis para tratar das questões envolvendo a instalação, operação e manutenção das instalações de iluminação pública.

Respeito
Objetivo da reunião foi exigir explicações da empresa sobre obra feita na cidade sem aviso prévio à Prefeitura.
Divinei da Silva (PL) disse que “saía triste” da reunião. “A Concessionária não pode fazer essa lambança na cidade para atender a uma empresa. As pessoas precisam ser respeitadas. Aqui, senhor Milton, estamos no ar condicionado. Mas a situação das pessoas está dificílima. Estamos em pandemia, as pessoas estão desempregadas. Com algum dinheiro conseguiram, por exemplo, comprar dois quilos de carne para colocar na geladeira e aí ficam sem energia. Perdem o alimento. Sem contar, a falta de acessibilidade nas calçadas. Tenho um filho que precisa de andador para se locomover e sei como é. Se as pessoas não existissem, não precisaríamos da Elektro, não é verdade?”, pontuou.
João Luiz Soares (PSD) fez questão de demonstrar sua extrema indignação com a demora no restabelecimento da energia elétrica em bairros da cidade, após a chuva do último dia 25/2. “Foram mais de 26 horas sem energia no Jacarandás e mais de 40 horas na Chácara Santo Antônio. A população ficou incomunicável. Isso é inadmissível”, afirmou o parlamentar. Momentos antes, durante a reunião, o gerente de distribuição da Elektro Lucas Rodrigues havia dito que é possível restabelecer a energia no período de 1 hora em até 90% dos casos de interrupção do fornecimento. “Isso aconteceu aqui no Centro. Mas nos bairros, não. E no Jacarandás, especificamente, a queda de energia é constante. É recorrente ficarmos duas ou três horas sem iluminação”, repetiu João Luiz. Rodrigues se comprometeu a averiguar, mas adiantou que no caso da última chuva a situação foi bastante atípica e grave.
Rafael Santos Laranjeira (Rede) foi direto ao ponto: “Vocês têm algo contra Arujá? Estive em outros municípios atendidos pela Elektro e o tratamento é outro. O serviço é prestado com qualidade”.
Pontes negou quaisquer problemas com Arujá, mas admitiu que em outra cidade – onde houve obras de infraestrutura energética inclusive de menor porte – a Prefeitura foi avisada com antecedência e o projeto de expansão apresentado ao prefeito. “Não há desculpa para justificar a postura da empresa. Essa obra em Arujá começou errado e estamos terminando, tentando corrigi-la”, admitiu.
Os vereadores Jean Mark Gonçalves Pereira (PDT), o Jean da Padaria; Samoel Maia de Oliveira (Republicanos), o Pastor Samoel Maia; José Genilson da Silva (PT), o Genilson Moto; Vinícius Henrique Alberto Bernardo (Rede), o Vinícius Pateta; Roberto Daniel Duarte (Pode), o Renan de Arujá; Cristiane Araújo Pedro (PSD), a Profª Cris do Barreto; Reynaldo Gregório Junior (PTB), o Reynaldinho, participaram da reunião e fizeram questionamentos diversos à Elektro, entre os quais, sobre poda de árvores; atendimento à demanda de energia para comerciantes; existência de programa social de eletrificação e a construção da nova subestação de energia em Arujá, prevista para começar ainda este ano.

Solução
Os vereadores definiram que a Comissão Permanente de Obras, Serviços Públicos e Meio Ambiente, presidida pelo vereador Rafael Laranjeira, assumirá a interlocução com a Elektro. A Comissão ficará responsável por agendar uma vistoria técnica à área central para definir quais postes serão retirados a fim de resolver parte dos problemas de acessibilidade nas calçadas. A vistoria também deverá ser acompanhada por representantes da Prefeitura. Ainda ficou definido que, a cada dois meses, será realizada uma reunião de trabalho com o Legislativo, para apontar as necessidades e prioridades do município, assim como acompanhar a atuação da Elektro. A Elektro atua no setor de distribuição de energia em 228 municípios do País e tem contrato com a União até agosto de 2028.

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