“Saúde de Arujá é uma saúde doente”, diz novo secretário municipal

Mais de 6 mil arujaenses estão à espera de consultas, agendamentos e cirurgias de acordo com informações passadas durante prestação de contas

“A saúde de Arujá é uma saúde doente”. O diagnóstico é do novo secretário municipal, o médico Márcio Knoller, durante Audiência Pública de prestação de contas realizada na última quinta-feira (4/2) na Câmara de Arujá. A afirmação foi durante apresentação do balanço de atendimento na rede municipal nos últimos quatro meses de 2020.
No período analisado, mais de 19,5 mil pessoas passaram pelas sete unidades básicas de saúde da cidade e 55,4 mil procedimentos foram feitos. “São números enormes pela população que a gente tem. Se a gente pensar em quantidade de atendimentos, quantidade de exames, no tamanho da fila de espera, só é possível chegar a uma conclusão: a saúde de Arujá está doente e precisa ser tratada”, disse o secretário.
A pouco mais de 30 dias à frente da Secretaria, Knoller adiantou, em resposta a questionamento feito pelo vereador Divinei da Silva (PL), relator da Comissão de Saúde, que uma de suas primeiras medidas foi solicitar um estudo meticuloso da demanda, principalmente na Central de Regulação de Ofertas de Serviços da Saúde (CROSS). O sistema é responsável por distribuir vagas para realização de exames, consultas ou cirurgias não disponíveis no município. Mais de 6 mil arujaenses estão na fila de espera.
“Estamos fazendo um pente fino para saber a real necessidade dos pacientes. Já ligamos para alguns e nem sequer atenderam ao telefone”, explicou ao identificar outro problema: os critérios de inclusão de pacientes no sistema CROSS. Ele acredita que uma melhor resolutividade na assistência básica poderia reduzir o tamanho da fila. “Mais de 50% das 1.563 pessoas que esperam por consulta com dermatologista – a especialidade com maior demanda – é para tratar micose”, exemplificou.
O assunto foi novamente abordado pelo vereador Luiz Fernando Alves de Almeida (PSDB), presidente da Comissão de Saúde, que pediu mais esclarecimentos. “O senhor está dizendo que o médico do posto poderia tratar a micose para não sobrecarregar o sistema?” Knoller respondeu: “O nosso diagnóstico inicial é de que estamos perdendo vagas na CROSS por encaminhamentos desnecessários. No caso específico das micoses, em 80% dos casos o generalista está habilitado a tratar. Portanto, temos de investir em uma educação continuada dos profissionais para que encaminhemos à fila de especialidade aquilo que realmente deve ser tratado por um especialista”.
Outros dois pontos críticos do sistema, de acordo com Knoller, são a superlotação do PAM Barreto e do Pronto Atendimento, com procedimentos que não deveriam ser feitos nestes dois equipamentos, e a pouca resolutividade da saúde em Arujá, inclusive, do Centro Médico de Especialidades (CEM). “O paciente passa no vascular e o médico indica uma cirurgia e o município não tem como fazer. Pronto: não tenho como resolver nada”, salientou.
A vereadora Cristiane Araújo Pedro (PSD), a Profª Cris do Barreto, vice-presidente da Comissão de Saúde, apresentou algumas demandas ao secretário, entre as quais, a de que a vacinação seja disponibilizada aos usuários durante todo o horário de expediente das unidades de saúde – o que não ocorre hoje e tornou-se uma reclamação constante da população. O secretário diz que destacou os adjuntos para acompanhar mais de perto o funcionamento das unidades. “Não quero ouvir em minha gestão que ninguém aparece na UBS”, disse Knoller, que se colocou à disposição para dialogar com o Legislativo.
O último vereador a questionar o novo secretário foi Vinícius Henrique Alberto Bernardo (Rede), o Vinícius Pateta, que sugeriu a formação de parcerias público-privado para dar mais agilidade ao sistema. Ele também pediu providências quanto à humanização do atendimento.
A primeira Audiência Pública realizada pela nova gestão ainda contou com a participação dos vereadores Genilson da Silva (PT), o Genilson Moto; Uelton de Almeida (PSDB), o GCM Uelton; Reynaldo Gregório Junior (PTB), o Reynaldinho; Jean Mark Gonçalves Pereira (PDT), o Jean da Padaria; e Samoel Maia (Republicanos), o Pastor Samoel.
Representando o Conselho Municipal de Saúde estiveram na Câmara: Israel Antônio do Prado, Mozaniel Daniel Duarte e Natal Calixto; e pela Prefeitura, os secretários adjuntos da Saúde, Leornardo Santos dos Reis e Margareth Murteira; a diretora de Administração e Finanças, Lívia Pereira; a responsável pela Central de Regulação, Patrícia Elias do Prado; a diretora de Atenção Básica, Luciana Baier; a diretora de Vigilância em Saúde, Denise Rodrigues Leal;e o coordenador de Saúde Bucal, Cid Roberto Cury.
A Audiência foi transmitida ao vivo pelo canal oficial da Câmara no YouTube e a participação do público foi garantida por meio do CHAT. A gravação ficará disponível para consulta.

 

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