Família afirma que paciente não morreu de Covid-19 no Pronto Atendimento e refuta atestado

Caixão fechado, com apenas algumas pessoas da família e apenas 20 minutos, foi assim que os familiares se despediram de José Pinheiro, de 75 anos, no último dia 30 de outubro. O motivo da despedida rápida foi por conta do atestado de morte ser Covid-19. A causa da morte é refutada pela família que afirma que o idoso não morreu da doença, mas sim, em decorrência de hepatocarcinoma, câncer no fígado. 
A filha de José Pinheiro contou à reportagem que seu pai deu entrada no Pronto Atendimento Central (PA) no dia 30/10.  Ele foi levado pelo SAMU por volta das 17h e depois de cerca de 4 horas veio a óbito.
Ela conta que descobriram o câncer há dois anos, sendo que ele vinha se tratando na Santa Casa de São Paulo. Por conta da pandemia, os atendimentos em São Paulo foram cancelados e José Pinheiro passou a ser cuidado por uma equipe médica do Posto de Saúde em casa, uma vez por mês e semanalmente, por conta do avanço do câncer, o que já havia o deixado bem debilitado.
“No dia dos fatos meu pai estava muito ruim, mas por conta da doença dele. Quando recebemos o diagnóstico ficamos perplexos e falamos que meu pai não tinha Covid, ele estava com câncer no fígado. Mas o médico insistiu e disse que haviam feito um exame de sangue e o exame do nariz, e que o exame de sangue deu reagente e o do nariz não deu reagente. Pedimos então para que nos desse o resultado do exame, e eles não queriam nos dar, tivemos que fazer escândalo até que nos deram o resultado de exame. Um detalhe é que, quando a ambulância o pegou, no caminho do hospital, não conseguiram colocar acesso na veia dele. Não tinha como fazer teste, pois provavelmente, o sangue do meu pai já estava coagulando. Porém, reafirmamos: bom, meu pai não tinha Covid, pois se fosse assim, todos da casa que conviveram com ele teriam algum sintoma”, disse a filha de José Pinheiro.
Ela ressaltou ainda que sua mãe ficava o tempo todo ao lado de José Pinheiro, mesmo sendo do grupo de risco por ser cardiopata e ter vários outros problemas de saúde, ou seja, público de risco para a Covid-19. “Ela ficava praticamente 24 horas com ele e não tem nenhum sintoma. Eu, meu irmão e minha filha também tínhamos contato com ele, pois moro na mesma casa e também não temos nenhum sintoma. Foi muito revoltante. Tivemos 20 minutos de velório com caixão lacrado. Minha irmã que foi ao hospital e presenciou tudo ficou muito indignada. Chegou até bater nas coisas lá dentro. Sei que não vamos ter ele de volta, mas foi muito indignante. Meu pai estava em estado terminal. Quem é médico sabe como fica um paciente terminal de câncer. Tenho o laudo da médica da Santa Casa de São Paulo e toda a ficha dele de lá. Só peço a Deus que tenha misericórdia dessas pessoas que estão se beneficiando da desgraça alheia”, concluiu a filha de José Pinheiro. 

Prefeitura
A reportagem do Jornal da Cidade questionou a Prefeitura sobre o fato ocorrido. Por meio da Assessoria de Imprensa informou que: “José Pinheiro, de 75 anos, que deu entrada no PA Central no dia 30 de outubro, fez o teste rápido para a Covid-19 e o resultado foi positivo. Por este motivo é que no atestado de óbito consta esta informação”.

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