21/08/2017

Os partidos e os políticos precisam se reinventar

É fato que quase a totalidade da população brasileira está descrente da política e contrariada (para não dizer irada) com a grande maioria dos políticos. O sentimento dos eleitores é que elegeu pessoas para representá-los, porém descobriu que eleitos, os então candidatos, passam a atuar na defesa de seus próprios interesses e na defesa dos  interesses dos patrocinadores de suas campanhas. 
Entrevistado esta semana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (governou o País de 1995 a 2002), fez ponderações acachapantes sobre a política no Brasil. Em uma delas disse:
“No Brasil o representante não representa o povo, mas sim os interesses de clubes, igrejas, sindicatos. As instituições intermediárias é que conduzem o voto”. Ele ainda lembrou que os tucanos defendem a adoção do voto distrital misto e criticou o modelo de distritão, que está sendo discutido na Câmara dos Deputados.
Do alto de seus 86 anos, FHC posicionou que após sucessivos escândalos de corrupção, o Brasil vive uma profunda crise política. Que os partidos serão obrigados a se reinventar, pois todos foram mortos dentro dessa imensa crise que atingiu as legendas, incluindo obviamente o PSDB, partido que o tem como presidente de honra.
Perguntado se o PSDB acabou ele respondeu: “Se o PSDB acabou? (Sim,) na medida que os outros partidos acabaram também. A crise é geral e não tem diferença, mas eles não vão desaparecer”, disse.
O ex-presidente ratificou que o mecanismo de financiamento público de campanha é inviável em meio à crise econômica e que a reforma política deve ser feita de  forma paulatina, afetando inicialmente, e de forma experimental, na eleição para vereadores. A atual reforma “está mal parada” porque ainda há pouca clareza e muita confusão. “O nosso sistema está muito deformado, mas o distritão é uma deformação maior ainda”, avaliou.
FHC pode ser um ancião, mas já conseguiu entender a voz do povo: A sociedade não apoiará um fundo público para campanhas eleitorais, seja qual for o tamanho. Sugeriu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) crie contas correntes em nome dos partidos para que os eleitores depositem suas doações à legenda.
Podemos dizer que FHC, como qualquer um de nós, tem pessoas que o admire, assim como a quem não tolere, mas uma coisa é certa: a idade lhe presenteou com um pouco de sabedoria, pois detectou que inclusive seu partido está desconfigurado pelas denúncias de corrupção que assola o meio político do País. 

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