24/07/2017

Arujá tem déficit de cerca 8 leitos obstétricos nas redes pública e privada; assunto foi discutido no Condemat

Estado admite déficit na Região e proposta do Consórcio é a ampliação de 17 leitos obstétricos e 10 de UTI Neonatal na Santa Casa de Mogi para atendimento regional

O Condemat – Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê anunciou na última quinta-feira (20) um plano de ação imediata para minimizar a falta de leitos obstétricos na Região e de cuidados ao recém-nascido. A proposta contempla a ampliação da Santa Casa de Mogi das Cruzes para atendimento regional e será protocolada no Governo do Estado na próxima semana.  Pela primeira vez, a Secretaria de Estado da Saúde admitiu a existência de déficit na estrutura para gestantes no Alto Tietê.
Levando-se em conta a população total, o déficit na Região é de 292 leitos obstétricos nas redes pública e privada. Em Arujá, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde/Departamento Regional de Saúde I da Grande São Paulo, o déficit total seria de 8 leitos. No foco do Estado, porém, o que prevalece na conta é só a população dependente SUS. Neste caso, o déficit do Alto Tietê é de 131 leitos, conforme apresentado pelo Departamento Regional de Saúde I da Grande São Paulo na última quarta-feira (19) em reunião do Conselho de Secretários Municipais de Saúde.
“Os dois números estão corretos. Mas, para andar, vamos trabalhar neste primeiro momento só com a população SUS dependente. Desde 2015 a Região vem tentando superar portarias e, agora, pela primeira vez, o Estado reconheceu que o Alto Tietê é muito deficitário em leitos de maternidade e abriu tratativas para ações que visam estancar o problema”, ressalta Teo Cusatis, coordenador da Câmara Técnica de Saúde do Condemat.
A ação imediata defendida pelo Condemat é a ampliação da maternidade da Santa Casa de Mogi das Cruzes, que tem capacidade atual para 38 gestantes, mas tem registrado o dobro do número de pacientes, vindas de todos os municípios da Região. O hospital já tem um projeto de expansão, o qual contempla mais 17 leitos para gestantes e 10 na UTI Neonatal, onde hoje existem apenas nove.
Para que isso se torne realidade, é necessário um investimento estimado em R$ 5 milhões para obras de ampliação e equipamentos e mais R$ 450 mil/mês de custeio. A prioridade da direção do Condemat será conseguir esses recursos com o Governo do Estado e Governo Federal.
“Isso não resolve todo o déficit regional, mas é a solução mais rápida e mais barata para estancar o problema. A Santa Casa responde regionalmente e não dá para conviver com a superlotação todos os dias e, principalmente, com o risco de infecção hospitalar”, frisa Cusatis, ao citar que nesta quinta-feira a maternidade mogiana tinha 59 pacientes, sendo a sua capacidade para apenas 38.
O projeto inicial foi apresentado pelo coordenador da Câmara Técnica, pela secretária-adjunta de Saúde de Mogi das Cruzes, Rosângela Cunha e pelo provedor da Santa Casade Mogi, Austelino Mattos.
Outras ações também serão discutidas pelo Condemat, como a contratação de médicos para o Hospital de Ferraz de Vasconcelos, a reabertura da maternidade do Stela Maris de Guarulhos e, principalmente, a construção de uma nova maternidade no Alto Tietê. 
“Esse trabalho feito pelo Condemat permitiu que Estado realmente reconheça que há o déficit e nos deixe em condições de colocar propostas para ajudar a solucionar o problema da Região”, destaca o provedor da Santa Casa.
Do déficit de 131 leitos obstétricos existente no Alto Tietê para dependentes SUS, 46 são para atendimento de gestantes de alto risco. As cidades onde mais existem deficiências de estrutura são Guarulhos, Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes (veja tabela abaixo). 
O número de dependentes SUS na Região corresponde a 70% da população e tem aumentado em razão da crise econômica e do desemprego. No caso das gestantes, torna-se ainda mais significativo em razão do fechamento de maternidades privadas. “Estaremos também chamando a ANS (Agência Nacional de Saúde) para que seja cobrado da iniciativa privada também a ampliação da rede de atendimento à gestante. O nosso déficit total é de 292 leitos e essa deficiência tem contribuído muito para elevar os indicadores de mortalidade materno-infantil da Região”, conclui o coordenador da Câmara Técnica do Condemat.

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