09/05/2017

Tricampeão Olímpico José Roberto Guimarães promove palestra motivacional no Nippon Country Club

Foi com o auditório do salão nobre totalmente lotado que o tricampeão olímpico de vôlei José Roberto Guimarães foi recebido e ovacionado na tarde deste domingo, 07, para proferir uma palestra motivacional e beneficente no Nippon Country Club, renomado clube localizado em Arujá. O evento foi organizado pela Academia do Futuro, formada por jovens de diversos departamentos do clube. O valor arrecadado com a venda de ingressos será revertido para duas entidades: Casa de David e AAME (Amigos da Atrofia Muscular Espinhal). Além de Zé Roberto, também marcaram presença os ex-atletas Amauri Ribeiro e Fofão, ambos também campeões olímpicos sob o comando do palestrante.
Registre-se ainda as presenças do prefeito arujaense José Luiz Monteiro, do presidente do Nippon Country Club Valter Sassaki, do deputado federal Walter Ihoshi, do deputado estadual Hélio Nishimoto entre outras autoridades e membros da diretoria do Nippon.
Foi mostrado, antes dos discursos das autoridades, um vídeo sobre o importante trabalho que a Academia do Futuro desenvolve no clube, assim como um vídeo sobre as crianças assistidas pela Casa de David. O neurologista Dr. Acary Oliveira foi convidado a subir ao palco para falar um pouco sobre a atrofia muscular espinhal e explicar detalhes sobre a doença.
Antes da palestra de Zé Roberto, o presidente do Nippon Walter Sassaki agradeceu a presença de todos e em especial ao palestrante pelo gesto humanitário. “Hoje nós estamos conhecendo o lado humano do Zé Roberto, ele abraçou a causa e mesmo estando com problema de saúde se dispôs a vir até aqui falar um pouco da sua trajetória vitoriosa dentro do esporte e deixar um recado de força e superação para todos vocês”, destacou o presidente.

Exemplo de vida a ser seguido
Durante cerca de 90 minutos Zé Roberto palestrou de uma forma simples, algumas vezes interagindo com o público e também se mostrando irreverente. De fala mansa, mas com bastante objetividade Zé Roberto contou a sua vida, falou das vitórias, dos fracassos e dos novos desafios. “Comprometimento, solidariedade, precisamos disso no nosso País. Temos que lutar sempre, desistir jamais. Os desafios que aparecem na nossa vida são coisas importantes, pois nos faz crescer como seres humanos. Nós vivemos de sonhos, portanto não podemos deixar de sonhar jamais. É assim que eu pauto a minha vida”, contou.
“Venho de uma família de jogadores de futebol. Meu pai e meu irmão foram profissionais e sempre desejei seguir a carreira de jogador de futebol”, revelou o torcedor do São Paulo. “Entrei para o vôlei por conta de uma ex-namorada, que praticava o esporte. Deus não me deu muito talento, mas me deu força para lutar, sonhar e vencer. Sabia que por conta de não ser muito talentoso precisava fazer muito além de todo mundo. Até balé e fui treinar por indicação de um amigo, pois precisava aprimorar o meu salto. Foram seis meses de aula, mas valeu a pena, pois consegui realizar o sonho de vestir a camisa da Seleção Brasileira e participar dos Jogos Olímpicos de Montreal no Canadá em 1976”.
Como jogador foram 21 anos dentro das quadras. Depois iniciou a carreira de treinador tendo como ídolo Bebeto de Freitas, de quem foi assistente técnico. “Certa vez o Bebeto me falou uma frase que jamais esqueci na minha vida. Ele disse para eu fazer as coisas sem copiar os outros, ou seja, ter um estilo próprio de trabalho. É o que faço até hoje”.

Gratidão
“Outra frase que marcou muito a minha vida foi quando fui convidado pelo Nuzman (Carlos Arthur) para ser treinador da Seleção Brasileira masculina na Olimpíada de 1992. Eu não estava preparado para aquele cargo, mas um certo amigo falou pra eu pegar a oportunidade, pois não teria nada a perder. Foi o que fiz e em 1992 conseguimos o primeiro ouro olímpico para o vôlei e para o esporte coletivo brasileiro. Naquela campanha a ajuda do Amauri foi fundamental. Ele era um jogador experiente e soube passar tranquilidade para os mais novos. Devo muito a ele”, disse dirigindo o olhar para Amauri que acompanhou a palestra do professor no palco ao lado da Fofão para quem Zé Roberto também rasgou elogios. “É uma das melhores levantadoras do mundo”.
O título de 92 em Barcelona na Espanha tirou um peso das nossas costas. “Aqui no Brasil só o primeiro colocado tem valor”. Éramos ‘massacrados’ pela imprensa, que dizia que a gente só amarelava, que não conseguíamos conquistar um título de expressão. Era muita pressão interna e externa”. E continuou : “mas sucesso passado não garante sucesso futuro. Não podemos ficar numa zona de conforto, na condição de campeões precisamos treinar ainda muito mais, todo mundo quer ganhar do campeão. Em 1.996 em Atlanta nos Estados Unidos tivemos a maior prova disso e acabamos sendo surpreendidos, ficando fora do pódio”, lamenta.
No comando da Seleção Feminina Zé Roberto foi bicampeão olímpico em 2008 (Pequim) e 2012 (Londres). Em 2016 no Brasil o time fez uma campanha estupenda, mas caiu diante da China. “Uma fatalidade, coisas do esporte”, justificou o treinador. “ Mas as derrotas também nos colocam no caminho certo”, completou.
Antes do encerramento da palestra, Zé Roberto destacou a importância de um líder no grupo. “Tem de se comprometer com tudo, ser o primeiro a ter iniciativa. Precisa ter valores éticos e saber fazer as escolhas certas”.

Homenagens
Zé Roberto não conteve a emoção e derramou lágrimas ao ver as homenagens que alguns atletas fizeram com declarações de amor e respeito ao professor. Deram depoimento os atletas Tande, Fofão, Érika e Carol Albuquerque. Zé Roberto também foi agraciado com outras homenagens no palco como, por exemplo, ao receber uma placa do Nippon Club com dizeres de gratidão.

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