CEI: empresa contratada pela Câmara para fazer auditoria de contratos não tem experiência na área e principal ramo de atividade é o comércio de medicamentos

Contratada no último dia 23 de setembro a pedido da Comissão Especial de Investigação (CEI), a empresa Gott Wird Comércio e Serviços Saúde teve seu contrato rescindido no último dia 30. Ela deveria fazer a auditoria dos contratos celebrados pela Prefeitura Municipal que foram entregues para a Comissão que investiga supostas irregularidades em contratações do Executivo. Segundo informou o Legislativo Arujaense, o “contrato com a referida empresa foi rescindido após a identificação de falhas insanáveis no procedimento licitatório”. A contratação da Gott Wird custaria à Casa de Leis R$ 70 mil.
De acordo com o comprovante de inscrição e de situação cadastral, a Gott Wird, sediada em Mogi das Cruzes, tem como atividade principal o comércio atacadista de medicamentos e drogas de uso humano, ou seja, nada tem haver com licitações ou atuação em alguma ramificação da administração. Nas atividades secundárias a empresa também não diz atuar em nenhuma área relacionado ao objeto do contrato, tendo como segmentos de atividades: instalação e manutenção elétrica; comércio atacadista de materiais de construção em geral; aluguel de outras máquinas e equipamentos comerciais e industriais não especificados anteriormente, sem operador; outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificadas anteriormente; comércio atacadista de mercadorias em geral, sem predominância de alimentos ou de insumos agropecuários; reparação e manutenção de computadores e de equipamentos periféricos e aluguel de máquinas e equipamentos para escritórios.
De acordo com a licitação de nº 13/20 aberta pela Câmara de Arujá no dia 22 de julho, o objeto da contratação deixa claro que a processo é para empresa especializada na prestação de serviços de auditoria – “compliance” na área de processos licitatórios e contratos administrativos. Porém, mesmo não apresentando em seu cadastro atuar neste segmento, a Gott Wird venceu a licitação na Câmara de Arujá. Procurado, o presidente Gabriel disse que determinou a rescisão do contrato tão logo tomou conhecimento das irregularidades apontadas pelo Controle Interno da Casa de Leis. “Minha maior preocupação, como representante do Poder Legislativo, é a de não macular o trabalho até aqui conduzido com rigorosa seriedade pelos membros da CEI. Por esse motivo, mobilizei o Departamento Jurídico da Câmara para auxiliar a Comissão na auditoria dos principais contratos sob investigação, de forma a não prejudicar o andamento das apurações”.
Já Rogério da Padaria, na última segunda-feira (05) durante Sessão de Câmara, disse que: “Gostaria de informar a população arujaense, inclusive o senhor informou que declinou a respeito da contratação da empresa que iria fazer auditoria, por um erro da Copel. Fizemos uma reunião extraordinária hoje da CEI, comissão que eu presido ao lado do relator Rafael Laranjeira (REDE) e da vice-presidente Professora Cris (PSD), na qual solicitação que o senhor faça uma sindicância para saber o que houve de errado, porque aguardarmos por cerca de 60 dias para a contratação dessa empresa e a gente será sim prejudicado, porque queríamos que fossem auditados cerca de 50 contratos e hoje vamos auditar de 10 a 15 que é o que o corpo da Casa consegue fazer. Mas deixar claro para a cidade de Arujá que não vamos recuar. Vamos continuar não medindo esforços para realizar e poder analisar esses contrato e trazer sim uma resposta para a população arujaense”, disse o vereador.   
Segundo informou a assessoria da Câmara,  a rescisão  do contrato não trará prejuízo ao andamento da CEI, pois o trabalho será absorvido pelo próprio Departamento Jurídico da Casa de Leis. Vale desatacar que a Comissão já ouviu o prefeito, José Luiz Monteiro (MDB); Márco José de Oliveira (Republicanos), vice-prefeito afastado do cargo; secretários municipais e ex-secretários de Pastas como Saúde, Educação, Serviços e Assuntos Jurídicos, além de servidores municipais membros da Copel (Comissão Permanente de Licitações). A CEI ainda deve ouvir o ex-secretário de Assuntos Jurídicos e de Segurança Carlos Roberto Vissechi, diretamente implicado nas denúncias, que chegou a ser preso na primeira fase da Operação Soldi Sporch. A Câmara de Arujá instaurou a Comissão Especial de Inquérito em junho desde ano, para apurar possíveis irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura e empresas que atuam na cidade. O fato se deu após a Polícia Civil realizar uma operação em Arujá, Guarulhos e na Capital paulista, com desdobramento de uma investigação que apura a suspeita de que empresários da região lavam dinheiro de tráfico de drogas e roubo, por meio de clínicas e organizações sociais.

 

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