Relatório da polícia revela que funcionários da Saúde de Arujá são suspeitos de envolvimento em esquema criminoso

Documentos obtidos com exclusividade pelo Jornal da Cidade relevam que funcionários que atuariam no Hospital e Maternidade Dalila Ferreira Barbosa, em Arujá, são suspeitos de envolvimento em um mega esquema criminoso. Tais documentos fazem parte de uma investigação da Polícia Civil, a Soldi Sporchi, que aponta que analgésicos da rede pública de Arujá foram desviados para a produção de cocaína de uma facção criminosa. Segundo o delegado Fernando Goes Santiago, do 4º DP de Guarulhos, tal ação só foi possível porque um dos integrantes da facção, o traficante Anderson Lacerda Pereira, conhecido como Gordo, além da gestão de unidades públicas, também tem mais 60 clínicas médicas e odontológicas para atender comparsas feridos em confronto com a polícia e utilizar em esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de droga. 
De acordo com o relatório da polícia, pelo menos cinco nomes apontados como suspeitos de ligação com Anderson seriam funcionários ligados à atual Organização Social que gere o hospital e os PAs (Prontos Atendimentos) hoje, a ITDM (Instituto de Tecnologia e Desenvolvimento da Medicina). Uma das suspeitas seria uma assistente administrativa de compras. No documento da polícia, ela teria sido contratada em maio deste ano para atuar como assistente administrativo de compras. Para a polícia, ela participava dos desvios de dinheiro que a quadrilha promovia, além de trabalhar para as clínicas odontológicas. Essa suspeita foi presa na segunda fase da operação Soldi Sporchi, ocasião em que foi preso também o vice-prefeito de Arujá. Além de extrema confiança, a assistente administrativa seria amante do narcotraficante, responsável pelo setor de compras. Outra suspeita de integrar o quadro de funcionários seria a mãe do filho de Anderson, Gabriel Donadon, também procurado pela polícia. A mulher teria ligação com a cozinha clandestina que fornecia alimentos para o hospital, assim como ocuparia cargo de diretora administrativa no hospital. 
Além disso, em uma anotação apreendida, na qual a polícia afirma que são repasses, aparece o nome de um médico, o qual atualmente exerceria cargo na direção do hospital. Neste documento apreendido pela polícia, existem diversas anotações de alguns números, os quais a polícia acredita que seriam os repasses em dinheiro de contratos.
Vale ressaltar que, de acordo com a polícia, a interferência de Anderson na rede municipal de saúde de Arujá teria começado em 2018.

ITDM
Questionada sobre o assunto, Instituto de Tecnologia e Desenvolvimento da Medicina, responsável pela gestão do hospital municipal, informou que, com exceção do médico apontado no relatório da polícia, os outros nomes citados não fazem mais parte do quadro de funcionários. Disse ainda que, no caso do médico, a Organização Social não foi notificada formalmente por nenhuma autoridade sobre qualquer irregularidade em sua atuação. 
A assessoria da unidade disse ainda que, por não ser ré nem investigada na operação que segue sob segredo de justiça, não tem acesso aos detalhes do inquérito e, portanto, efetivou o desligamento de alguns funcionários imediatamente após o conhecimento das investigações por parte da Polícia Civil. 
Informou ainda que a assistente administrativa que foi  presa foi contratada em gestões anteriores por meio de uma empresa prestadora de serviço. Em maio, o instituto rescindiu o contrato com a empresa e absorveu os funcionários em regime CLT, o que é prática comum no mercado e que tão logo tomou conhecimento das investigações da Polícia Civil, realizou o desligamento da funcionária. Sobre a mãe de Gabriel, a ITDM disse que ela já atuava em gestões anteriores e também foi absorvida, sendo que deixou de comparecer ao trabalho assim que deflagrada a operação. 
Segundo a ITDM, desde o início da gestão, foram adotados procedimentos administrativos como a revisão de todos os contratos de produtos e serviços que já estavam em andamento desde gestões anteriores, além de uma sindicância interna para apurar a conduta de colaboradores. 
Já a Prefeitura de Arujá disse que tem acompanhado pela mídia a operação "Soldi Sporchi" (e seus desdobramentos), conduzida pela Polícia Civil de Guarulhos, uma vez que o processo segue sob segredo de justiça e que diante de todos os desdobramentos da investigação noticiados pelos veículos de imprensa, a administração lamenta os ocorridos, continua aguardando os desfechos da operação e se coloca inteiramente à disposição da Justiça para continuar colaborando no que for preciso, assim como informou que abriu uma sindicância para revisar contratos e processos administrativos. 

COLUNISTAS

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