Alto Tietê e a região com maior percentual de dengue. Aumento foi de 142%

Com 102 vítimas, Alto Tietê é a região com o maior percentual de confirmações da doença em relação às notificações e avanço dos casos preocupa.

O ano de 2020 começou com estatísticas preocupantes da dengue no Alto Tietê. Só em janeiro, as cidades abrangidas pelo CONDEMAT – Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê contabilizaram 687 casos suspeitos. Desses, 102 foram confirmados (14,80%)  – o maior percentual de confirmações da doença frente às notificações registrado na Região Metropolitana de São Paulo e que representa um acréscimo de 142% no número de vítimas em relação a janeiro de 2019. No Estado de São Paulo já são mais de 33 mil casos confirmados.

Na área do CONDEMAT, a maioria dos casos confirmados neste ano (89) é de dengue autóctone, ou seja, os pacientes foram contaminados pelo mosquito Aedes aegypti nas cidades onde vivem. Mais populosos, Guarulhos e Mogi das Cruzes são os municípios nos quais a dengue mais fez vítimas – 75 e 6, respectivamente. No entanto, há registros de pessoas com a doença também em Arujá (4), Guararema (4), Itaquaquecetuba (2), Poá (3), Santa Isabel (3) e Suzano (5).

Embora as estatísticas de fevereiro ainda não tenham sido divulgadas, é esperado um aumento nos casos, principalmente porque muitas notificações  - inclusive de janeiro - aguardam os resultados. Além disso, tem as condições climáticas propícias à proliferação do mosquito – calor e chuva. 

Em reunião da Câmara Técnica de Saúde do CONDEMAT nesta quarta-feira (11/03), ficou evidente a preocupação dos gestores de saúde da Região diante desse cenário. Eles temem que, com o medo e as atenções em cima do coronavírus, os cuidados sejam minimizados e a dengue fuja do controle, assim como outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como chikungunya e zika. Além de janeiro, o período entre o final de março e abril é o quando se tem um dos maiores picos de dengue.

“É preciso estar alerta e monitorar o coronavírus sim. Porém, a dengue é tão preocupante quanto. Há um número muito grande de casos numa doença que tem o potencial de proliferação e, principalmente, de mortalidade muito maior”, alerta a coordenadora da Câmara Técnica de Saúde do CONDEMAT, Adriana Martins. “O problema é que enquanto o coronavírus tem um grupo predominante, a dengue mata indiscriminadamente”, acrescenta.

Além do foco da população no coronavírus, os gestores municipais enfrentam outras dificuldades para o controle da dengue.  Entre eles, a falta de recursos para as ações no controle de vetores da transmissão da doença e de insumos para exames e medicação de pacientes contaminados pelo Aedes aegypti.

“Há um apelo para que o Governo do Estado auxilie os municípios que estão, desde 2017, sozinhos nas ações para o controle do Aedes aegypti. As nossas cidades não têm recebido ajuda financeira para o trabalho técnico e estão com dificuldades de medicamentos num período em que os casos avançam de forma rápida e preocupante”, ressalta Adriana.

A principal arma contra a dengue é o controle da proliferação do mosquito Aedes aegypti. Para isso, é fundamental a participação dos moradores da cidade na eliminação de possíveis focos, que vão desde garrafas e ralos até planta, calhas e lixeiras (locais que acumulam água). O monitoramento deve ser feito pelo menos uma vez por semana. 

Em 2019, as 12 cidades do CONDEMAT tiveram 7.984 casos confirmados de dengue (46,30% do total de notificações). Desse total, 7.835 foram autóctones e 149 importados – tabela abaixo.  Um óbito foi registrado na cidade de Guarulhos.

A infecção por dengue pode ser assintomática (sem sintomas), leve ou grave, podendo levar a morte. Os sintomas da doença são febre alta, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Perda de peso, náuseas e vômitos são comuns. Em alguns casos também apresenta manchas vermelhas na pele.

Outras doenças

O mosquito Aedes aegypti também é o responsável pela transmissão da chikungunya e zika. No caso da chikungunya, o Alto Tietê registrou 10 notificações em janeiro, mas sem nenhuma confirmação. No ano todo de 2019, foram 152 notificações, com 9 confirmações da doença nas cidades de Guarulhos (6), Itaquaquecetuba (2) e Mogi das Cruzes (1).

Com a zika, os últimos registros foram em 2019, quando a Região contabilizou 57 notificações, com 7 confirmações – 2 em Ferraz de Vasconcelos e 5 em Guarulhos.

 

 

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