25/10/2019

Mobilização: Câmara de Arujá repudia instalação de pedágio na Mogi-Dutra

Os vereadores arujaenses estão mobilizados contra a possível instalação de uma praça de pedágio no quilômetro 45 da Rodovia Mogi-Dutra (SP-88), principal via de acesso entre os municípios de Mogi das Cruzes e Arujá.
Os parlamentares fizeram diversas críticas em Tribuna à medida estudada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), autarquia do Governo do Estado de São Paulo, sob a gestão do governador João Doria (PSDB). As declarações ocorreram no contexto da discussão de uma Moção de Repúdio (nº 155/2019) de autoria do vereador Renato Caroba (PT), mas que será subscrita por todos os parlamentares.
Predomina a avaliação de que a cobrança seria extremamente prejudicial à população arujaense, já que Mogi é o município-referência na Região do Alto Tietê de diversos equipamentos na área da saúde, contando com serviços como o da farmácia de medicamentos de alto custo, consultas e procedimentos no Hospital Luzia de Pinho Melo. Ainda haveria prejuízo a trabalhadores e estudantes que transitam diariamente entre os municípios.
Os legisladores ainda pretendem mobilizar a população que vive no entorno da rodovia e reivindicar apoio contra a medida junto a deputados estaduais e federais da região.

Moção
De acordo com a Moção de Repúdio aprovada pela Câmara, a Artesp teria realizado uma Audiência Pública em Mogi das Cruzes durante a qual apresentou o projeto de implantação de pedágio na Rodovia SP-88, conhecida como Mogi-Dutra.
A medida, sem a discussão com os municípios diretamente envolvidos, diz a Moção redigida pelo gabinete de Caroba, “certamente gerará inúmeros prejuízos, inclusive, financeiros, aos usuários da rodovia”. “Arujá não vai ficar imune aos impactos da possível instalação do pedágio”, advertiu o parlamentar em Plenário. “É absurda essa política do João Doria, absurda essa política de vender o que é público, de encarecer a vida do trabalhador, encarecer a vida de quem estuda”, protestou.
Na sequência, o vereador Abel Franco Larini (PL), o Abelzinho, destacou ter sido surpreendido com a “péssima notícia”. “Quero que esse absurdo não ocorra, pois os mais prejudicados serão os estudantes e trabalhadores de Arujá. O governador está pensando apenas em arrecadação, mas quem pagará por isso serão os menos favorecidos”, destacou Abelzinho, que ainda conclamou a população a assinar abaixo-assinados virtuais e se mobilizarem contra a medida.
Rafael Santos Laranjeira (PSB) descreveu a medida como um absurdo. “Não há justificativa para a instalação desse pedágio”, disse o parlamentar, que ainda destacou ser da área de transportes e, por isso, ser capaz de prever o impacto que a medida terá sobre o preço da passagem. “Vale lembrar também que o Luzia de Pinho Melo é uma unidade de referência no Alto Tietê. Imagine as pessoas que precisam de tratamento e recorrem às unidades de referência duas ou três vezes por semana tendo que pagar pedágio na ida e na volta”.
O vereador Edimar do Rosário (PRB), o Pastor Edimar de Jesus, também criticou o Governo do Estado, especialmente por não estar engajado na construção de um hospital municipal e em vez disso propor e construir pedágio. “Isso é inaceitável”, arrematou.
Gabriel dos Santos (PSD) destacou que a obra de duplicação da Rodovia Mogi-Dutra é passível de embargo, pois não foram realizadas Audiências Públicas, como determinado por lei. “Essa é a hora de a população tomar uma atitude corajosa”, conclamou o vereador, que não descartou a possibilidade de promover uma paralisação da rodovia. “Não tem ata de Audiência Pública, não tem impacto ambiental, solicitei atas de Audiência Pública ao DER que, até este momento, não deu retorno às solicitações. Está tudo errado”, disparou o parlamentar.
Paulo Henrique Maiolino (PSB), o Paulinho Maiolino, criticou a justificativa “grotesca” da Artesp em relação à implantação da praça de pedágio. “Disseram que é uma medida que visa garantir a segurança da via, mas todos sabemos que isso é uma mentira”, atacou o parlamentar, que descreveu a medida como um atentado ao “direito de ir e vir” do munícipe arujaense.
Edvaldo de Oliveira Paula (PSC), o Castelo Alemão, conclamou os colegas de Legislatura a pressionarem os deputados estaduais da região, possivelmente, na própria Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). “Todos sabem da luta que fiz pela reabertura da Avenida Mário Covas de forma que o arujaense não precisasse pagar pedágio para acessar a Rodovia Presidente Dutra”, destacou o parlamentar ao defender uma atuação enérgica e coesa dos vereadores.
Marcelo José de Oliveira, Dr. Marcelo Oliveira, mostrou-se preocupado com o prejuízo aos estudantes arujaenses. “É uma máquina arrecadatória, 24 horas por dia recebendo dinheiro sem uma contrapartida”, criticou.
O vereador Sebastião Vieira de Lira, o Paraíba Car, criticou a falta de transparência e diálogo com a sociedade. O parlamentar ainda descreveu a obra de duplicação da rodovia como “fraudulenta”.
Cristiane Araújo Pedro (PSD), a Profª Cris do Barreto, destacou o repúdio do PSD à medida e questionou a necessidade (de fato) de implantação de uma praça de pedágio, citando diversos serviços de saúde disponíveis em Mogi das Cruzes e que são utilizados pela população de Arujá. “Esse custo impactará a vida de, pelo menos, 35 mil pessoas”, pontuou.
Ana Poli (PL), por sua vez, focou nas possíveis ilegalidades de execução da obra, uma vez que não houve Audiência Pública para tal. “Temos que estudar uma medida de barrar, inclusive, judicialmente esse absurdo”, disse Ana Poli que ainda ressaltou ter participado de reunião na sede do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) sobre a situação da atual da obra.
Reynaldo Gregório Junior (PTB), o Reynaldinho, presidente da Câmara, considerou a ideia como “injustificável, considerando a pequena distância entre os pedágios já instalados nas proximidades de Arujá, e ratificou a fala dos colegas.

Artesp
O projeto de concessão do Lote Rodovias do Litoral, que inclui as rodovias SP-98 (Mogi-Bertioga), a SP-88 (Pedro Eroles) e a SP-55 (Padre Manoel da Nóbrega e Cônego Domênico Rangoni/Rio-Santos) está em fase de formatação e contou com discussões abertas à população com a realização de quatro Audiências Públicas entre os dias 21/10 e 25/10 nos municípios de Mogi das Cruzes, Itanhaém, Bertioga e São Paulo, e segue com consulta pública até o dia 25 de novembro. 
Segundo a Artesp, durante esse período serão colhidas sugestões e respondes dúvidas sobre o projeto através de seu site ([http://www.artesp.sp.gov.br%29./]www.artesp.sp.gov.br). “A participação da sociedade, inclusive de munícipes de Arujá, é de extrema importância para o refinamento do projeto. A análise das contribuições recebidas através das Audiências Públicas e consulta pública servirá para o refinamento do projeto. Todas as manifestações, sugestões e reclamações serão avaliadas para eventual incorporação ao projeto”, disse a Agência em nota enviada pela assessoria. 
Sobre a cobrança de pedágio, o edital prevê um desconto progressivo, que irá beneficiar os motoristas que utilizam o trecho rodoviário com mais frequência, além de um desconto de 5% para os usuários que utilizarem o pagamento automático. Seguindo a nova política tarifária adotada pelo Estado, a tarifa por quilômetro ficará 23% menor que os contratos atuais. 

 

Abelzinho busca apoio na região para barrar projeto

Buscando unir forças para derrubar o projeto que prevê a instalação do pedágio na Rodovia Mogi-Dutra, Abelzinho está articulando com autoridades na região. Exemplo disso é que na última quarta-feira (23) esteve com o vereador Mauro Araújo (MDB), de Mogi das Cruzes, no km 45, local previsto para a instalação do pedágio.
“Estamos trabalhando fortemente em Arujá e na região, pois não podemos deixar a população arujaense pagar essa conta, aliás, não só os moradores da nossa cidade, mas também todas as pessoas que utilizam essa rodovia para estudar e trabalhar, isso geraria um impacto financeiro muito grande. Segunda-feira teve a Audiência da Artesp em Mogi e, pelo que tomamos conhecimento, a instalação desse pedágio é para ajudar a custear a duplicação da Mogi-Bertioga, então vamos pagar por uma conta que não é nossa? Isso é inadmissível, um verdadeiro absurdo.”, enfatizou Abelzinho.
Durante toda a semana, o vereador articulou com lideranças políticas para buscar soluções que derrubem de fato o projeto que prevê a instalação da praça de pedágio.
“Vamos atrás dos deputados da nossa região, de quem for preciso, pois não vamos pagar essa conta não”, conclui Abelzinho.

 

Para José Luiz, pedágio é injustificável

 

Injustificável. Desta maneira o prefeito José Luiz Monteiro classifica a possibilidade de implantação de pedágio no km 45 da Rodovia Mogi-Dutra (SP-88). “Nós, prefeitos, trabalhamos diariamente para resolver os problemas das nossas cidades sem ter de cobrar, ainda mais, do cidadão que já sofre, e muito, com o momento econômico atual do Brasil. Não há nada que justifique essa intenção”, disse.
A instalação de uma praça de pedágio na rodovia que liga Arujá a Mogi das Cruzes e outras cidades da região foi um dos principais pontos da Audiência Pública que a Agência de Transporte de São Paulo (Artesp) promoveu em Mogi das Cruzes, esta semana. A medida ocorreria em função da concessão da via à iniciativa privada.
O trecho arujaense da Mogi-Dutra está sendo duplicado após 14 anos da entrega da primeira parte da obra, entre Mogi das Cruzes e a Rodovia Ayrton Senna. “Foram anos de reivindicação, reuniões e cobrança para duplicarem o perímetro de Arujá e jamais houve qualquer menção sobre pedagiar a estrada. Os usuários da Mogi-Dutra e os moradores de seu entorno podem contar com meu apoio”, explicou o prefeito.
Monteiro também tratou do assunto com os demais prefeitos da região ontem (25), durante reunião do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat).
Em comum acordo, todos decidiram subscrever um documento, juntamente com os deputados da região, manifestando a contrariedade ao pedágio. O ofício será encaminhado para a Artesp, com cópia para o governador João Doria.

 

Deputados se manifestam 

“Sou contra a implantação de pedágio na Mogi-Dutra. O importante é unirmos todos os prefeitos, vereadores, deputados federais e estaduais da região para sensibilizar a Artesp e o Governo do Estado para encontrar uma outra saída. Entendo que quem vai ser o condutor deste processo junto ao Governo do Estado, será o Condemat - Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê – na figura do próximo presidente, o prefeito de Mogi das Cruzes, Marcus Melo”, deputado federal Marcio Alvino (PR).

“A proposta feita pela Artesp para instalação de um pedágio na Mogi-Dutra é absurda e não condiz com a necessidade de desenvolvimento econômico e social de todo o Alto Tietê. Não vamos permitir que isso aconteça, prejudicando a vida de milhares e milhares de pessoas que utilizam a estrada todos os dias, seja para trabalhar, estudar ou escoar a produção. Todos os municípios do Alto Tietê, inclusive Arujá, sofrerão ônus com uma medida como essa, que foi apresentada pela Artesp, que é uma agência independente do Governo do Estado”, deputado federal, Marco Bertaiolli (PSD)

“Essa ideia é um absurdo e já se mostra inviável antes mesmo de se tornar um projeto. Sou totalmente contrário à proposta de implantação de praças de pedágio na Mogi -Dutra, entre as cidades de Arujá e Mogi das Cruzes. A medida é desnecessária e descabida e afeta negativamente a vida de grande parte da população de Mogi e Arujá. Vou atuar junto ao Governo Estadual para evitar a implantação das praças, e já propus que todos nós, deputados estaduais e federais da região, façamos uma frente de ação conjunta, para impedir que o projeto avance”, deputado federal Roberto de Lucena (PODEMOS).

“Tenho um posicionamento contrário a implantação de uma praça de pedágio na Rodovia Mogi-Dutra. Na minha visão, a Rodovia Mogi-Dutra não é o local ideal para a implantação deste sistema, uma vez que vai impactar diretamente no cotidiano e mobilidade da população do Alto Tietê. Tenho convicção de que é fundamental a modernização e duplicação de trechos e até a totalidade da Rodovia Mogi-Bertioga (SP-98) porque apresenta um trânsito muito intenso, principalmente, no verão. Até aos finais de semana, a SP-98 registra congestionamentos, o que mostra a necessidade de intervenções urgentes a fim de garantir maior fluidez.  Se há necessidade de colocar uma praça de pedágio, acredito que o local ideal deve ser na Mogi-Bertioga. Estou unido aos prefeitos, vereadores e a sociedade para trabalhar para que esta proposta de colocar pedágio na Mogi-Dutra não prospere”, deputado estadual  André do Prado (PR).

 

Comente esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.


FOTOS


Guia de Anunciantes