21/01/2019

Mulher morre e família acredita em negligência em atendimento no PA central

“Ela entrou andando e saiu morta”, disse Israel Antonio, um amigo da família da moradora do Jordanópolis, em Arujá, Maria Bernadete da Silva, de 65 anos. Ela veio a óbito na última segunda-feira (14), após ficar internada no Pronto Atendimento Municipal de Arujá.
Segundo familiares, Maria Bernadete procurou atendimento no último dia 12 de janeiro, sentindo fortes dores e vomitando. Ao passar pela consulta, o diagnóstico médico, de acordo com a família, foi de que ela estava com uma infecção de urina, sendo receitado então um medicamento tão forte quanto à morfina. Segundo a filha da paciente, Rose Silva, ela não sabe dizer qual foi o medicamento receitado para sua mãe. 
Depois de ser medicada, Maria Bernadete passou mal e ficou em observação, por conta da reação do remédio. A orientação passada pelos profissionais foi de que precisava ser entubada, no entanto, segundo Rose, eles não verificaram a falta de um cateter. “Eles a entubaram é só depois viram que não tinha o cateter central jugular e mesmo assim fizeram o procedimento”, disse. 
A falta de um cateter prolongou os processos para fazer o procedimento na paciente, que segundo familiares ela foi entubada mesmo assim. “O médico me falou que fez uma coisa errada, pois a medicação que era para estar indo pelo cateter estava no braço e isso não podia, era muito arriscado. Ela foi entubada às 20 horas e o cateter central jugular só chegou no PA por volta da meia-noite. E nesse período ela ficou tomando a medicação de forma errada e desumana”, disse Rose. 
Ainda segundo a filha da vítima, no início da noite de segunda-feira, houve queda de energia no Pronto Atendimento e o gerador demorou a funcionar. Maria Bernadete foi a óbito logo em seguida.
Segundo o amigo da família, um do médico que atendeu a paciente disse à família que era para tentar transferir a paciente, pois se continuasse no local ela iria morrer. O profissional teria dito ainda que nunca mais daria plantão na unidade por conta das condições precárias do PA.
Maria Bernadete foi sepultada na última terça-feira (15) no Cemitério Municipal II.

Sem medicamento
Familiares do aposentado Ademir Santos, de 65 anos, também reclamaram do atendimento prestado no Pronto Atendimento Central. Com dificuldades para respirar, tosse forte e dores pelo corpo, o morador do Parque Rodrigo Barreto procurou atendimento no PA na segunda-feira. Lá ele foi diagnosticado com pneumonia ficando imediatamente internado para observação. Segundo a filha do aposentado, Tatiane Santos, foi receitado ao pai tratamento com antibióticos, porém, não tinha o medicamento na unidade, sendo que ele só foi receber remédios no dia seguinte (terça-feira) e ainda não era o prescrito pelo médico.
Ademir Santos recebeu alta na manhã de ontem (18), porém, até às 11h30, familiares ainda não tinham recebido a prescrição médica para continuar o tratamento em casa.  

Prefeitura responde
Questionada sobre os casos ocorridos no Pronto Atendimento, a Prefeitura de Arujá respondeu que “acompanha de perto a apuração dos fatos e aguarda os relatórios finais para análise e procedimentos técnicos e administrativos necessários, o mais rapidamente possível”.
Em nota disse ainda que já cobrou medidas ao Instituto de Desenvolvimento de Gestão, Tecnologia e Pesquisa em Saúde e Assistência Social (IDGT), empresa responsável pela gerencia do Pronto Atendimento a qual informou que o caso segue sendo apurado pelas comissões de Ética Médica, que está ouvindo profissionais envolvidos no atendimento, e de Óbito, que executa apuração para emitir parecer final. Ainda de acordo com o IDGT, o diretor técnico do Pronto Atendimento, Sergio Roble, acompanha o caso pessoalmente.
Sobre a queda de energia, a Prefeitura informou que “a unidade dispõe de gerador com capacidade para manter funcionando os setores essenciais (emergência, berçário e centro cirúrgico), um dos quais a paciente estava quando ocorreu a queda de energia no bairro. Além disso, os equipamentos de sustentação à vida possuem baterias com autonomia de 6 horas”. 
A Prefeitura disse ainda que foi informada pelo IDGT que “durante o período em que a paciente esteve na unidade foi dada assistência do serviço social e da administração da unidade”.
Sobre o caso do aposentado Ademir Santos, a Prefeitura de Arujá informou que, de acordo com o IDGT, o paciente permaneceu internado para tratamento de pneumonia e recebeu sim antibióticos pela veia. Salientou também que o paciente recebeu alta médica ontem e retornou à tarde para buscar as receitas e dar prosseguimento ao tratamento em casa.

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