31/10/2017

Matando seres humanos e a natureza

O pensamento de que nossos governantes são negligentes com seus deveres é terrível. As tragédias ocorridas no País comprovam isso de forma cristalina, tenham elas acontecido por intempéries, por empresas irresponsáveis e até pela miséria que acaba sendo usada pelo crime organizado e pela política.
O fato é que eleitos para proteger a população, via de regra, optam por proteger empresários, latifundiários e fazer vistas grossas aos grandes traficantes (armas e drogas) os quais promovem a desgraça, multiplicando o número de zumbis e das mortes por arma de fogo. 
As injustiças são muitas, mas, a ocorrida no dia 5 de novembro de 2015 em Mariana, Minas Gerais, atingindo de forma implacável os moradores dos distritos rurais de Bento Rodrigues, Paracatu, Gesteira e Barra Longa, são gritantes. 
Pois bem, a tragédia promovida pelo rejeito de minério de ferro que jorrou da barragem de Fundão, operada pela Samarco, persiste na desgraça dos atingidos e na destruição da natureza. 
Lembrando que: O rompimento da barragem de Fundão matou 19 pessoas, além de arremeçar 34 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério dos quais 55km desceram pelo Rio Gualaxo do Norte até o Rio do Carmo e outros 22km até o Rio Doce.
Dois anos depois, as famílias reassentadas estão espalhadas em imóveis alugados pela empresa enquanto esperam pela reconstrução de suas comunidades, prometidas para 2019, em terrenos recentemente adquiridos pela Fundação Renova, que hoje responde pelas ações de reparação da mineradora e de suas controladoras, Vale e BHP Billiton.
As dificuldades de adaptação à rotina provisória - que, ao todo, deve durar pelo menos três ou quatro anos - começaram pelo choque com a vida urbana.
“Nossa Senhora, eu dava esse trem pros outros de balde”, diz o produtor rural de Paracatu, Marino D’Ângelo observando o preço do tomate-cereja no mercado da cidade.
Para a grande maioria dos desalojados, as mudanças profundas no cotidiano incluem a relação às vezes conflituosa com os moradores onde foram recolocados.
Sem criminalizar a empresa que tirou vidas humanas e dos rios, já existe campanha para a volta das atividades da mineradora que dava sustentação financeira para a cidade de Mariana. 
‘Somos todos atingidos’ diz a frase estampada em cartazes no centro de Mariana, dando apoio à retomada das atividades da empresa que respondia por 89% da arrecadação do município. Assim, passa-se a “mão na cabeça” dos irresponsáveis empresários e se desdenha da natureza e dos humanos.

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