17/10/2017

Rios fétidos: De quem é a culpa?

Ficamos horrorizados ao passar às margens dos rios fétidos nas grandes Capitais e Regiões Metropolitanas do Brasil, e nos perguntamos: “De quem é a culpa da mortandade de rios?” 
A resposta é: Além da falta de educação ambiental por parte dos brasileiros, a culpa é das autoridades (governos) que fazem vistas grossas para a ocupação desordenada do solo sem a necessária infraestrutura de saneamento. 
Recente estudo feito pela Agência Nacional de Águas (ANA) mostra a situação terrível de poluição dos rios nos grandes centros urbanos e Regiões Metropolitanas em todo País. 
O trabalho da ANA revela que em quatro de cada cinco municípios do País, o mal cheiro dos rios e a falta de tratamento de esgoto estão intrinsecamente ligados. O trabalho aponta ainda que de 769 cidades (entre as 5.570 que existem no Brasil), somente os Estados de São Paulo, Paraná e o Distrito Federal removem mais de 60% da carga orgânica dos esgotos produzidos em seu território. Quase 70% dos municípios não possui nenhuma estação de tratamento.
“Analisamos os 5.570 municípios do País, que têm realidades diferentes. Mas mesmo considerando as 100 maiores cidades brasileiras, a questão do tratamento de esgoto as reprovaria”, diz o pesquisador, Sergio Ayrimoraes.
“Praticamente nenhuma região é uma excessão à regra, ao contrário de outros indicadores, em que as diferenças regionais são acentuadas. Nesse ponto, tá ruim para todo mundo”, destaca o pesquisador.
Vale lembrar que a carga de esgoto é medida em Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) - que corresponde à matéria orgânica presente nele. Quanto maior a quantidade de DBO, pior a qualidade do esgoto.
O Brasil produz, todos os dias, 9,1 mil toneladas de DBO, das quais somente 39% são tratadas. “Isso significa que mais de 5,5 mil toneladas do que produzimos em casa são jogadas sem nenhum tipo de tratamento, diariamente, em rios que são usados pela população”, explica  Ayrimoraes.
De acordo com o Conama, os rios brasileiros são classificados em uma escala de 0 a 4 em termos de poluição. Um rio de classe 0, ou especial, é aquele de onde se pode beber água com a simples adição de cloro. Já um 4 é tão sujo que serve, na melhor das hipóteses, para navegação.
Segundo a ANA, o País tem atualmente cerca de 83 mil km de rios na classe 4, considerados “rios mortos” - o que equivale à extensão combinada dos 17 maiores rios do mundo.

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